Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O papel do museu no ensino de História


O MUSEU

* Um museu histórico não é uma instituição voltada para os objetos históricos, mas para os problemas históricos. Além disso, é um centro de documentação.

* No museu histórico devem estar obrigatoriamente presentes a celebração, a evocação e a memória, porém não como objetivos, mas sim com objetos do conhecimento.

* É preciso por em prática o conceito de que o museu é fundamentalmente, um espaço da sociedade, onde especialistas preservam e discutem uma história da qual o púbico visitante é parte integrante.

* O museu traz consigo a possibilidade concreta de perceber as transformações sociais que constituem o processo histórico (comparação entre sua própria realidade e os objetos produzidos e utilizados pelas sociedades passadas), assim como a visualização concreta das mudanças – pensar historicamente (diferenças e transformações) – repensar seu próprio cotidiano.

FUNÇÃO

* Uma das principais funções do museu é o processo educativo e comunicativo, que ocorre através da mediação entre os indivíduos e objetos materiais. Com isso, é possível compreender os aspectos sociais, históricos e técnicos, artísticos e científicos envolvidos.

O ACERVO

* As exposições são fontes de prazer estético, de observação científica, de reflexão e interação

* O acervo de um museu histórico nos permite analisar uma sociedade em um determinado tempo, levando em conta a noção de interação de diversas dimensões do cotidiano.

* Os objetos assumem o papel de fornecer a informação, mesmo que ainda tenham que perder a serventia para qual foram concebidos.

ROTEIRO DE VISITA

* Apesar da existência, em alguns museus, de uma sequência pedagógica, continuamos livres para segui-la ou não.

* A forma mais espontânea de interação visitante-objeto histórico é a comparação entre a sua realidade e os objetos produzidos e utilizados pelas sociedades passadas.

* Estrutura: Mapa da Exposição (Módulos temáticos, objetos expostos e eixo teórico).

PEDAGOGIA E MUSEU

* Acervo histórico museológico não é manual de história nacional ou regional – perspectiva a partir da divisão do ensino em compartimentos estanques.

* Desenvolvimento de atividades pedagógicas dentro do museu – Roteiro de visita (possibilidade de trabalho pedagógico).

* Experiências pedagógicas no museu – roteiros de visita/propostas de trabalho – reflexão dos próprios alunos – produção de conhecimento.

* Formação dos professores: bibliografia específica sobre os objetos e exposições e “atividade prática”.

MUSEU HISTÓRICO E ESCOLA

* No eixo teórico deve conter conceitos a serem trabalhados com os alunos para que o conhecimento seja construído durante a exposição – perspectiva construtivista. Além disso, deve ocorrer a problematização dos objetos expostos.

* SegundoMarandino e colaboradores (2008):
É importante estabelecer relações entre os conhecimentos que o visitante já possui aos novos que lhe serão apresentados.

* Atividades propostas:

- Atividades em sala de aulas antes de ir o museu.
- Durante a visita é interessante desenvolver os conceitos didáticos que serão necessários para a compreensão da exposição.
-Depois da visita também é interessante elaborar questões de reflexão acerca do que visto e estudado.

Para que serve um museu histórico?

Divisão dos museus: arte, antropologia, zoologia, ciência, história, tecnologia, etc. Também existem os museus monográficos (do telefone, do transporte, do brinquedo, etc);

Um museu histórico não é uma instituição voltada para os objetos históricos, mas para os problemas históricos.

No museu histórico devem estar obrigatoriamente presentes a celebração, a evocação e a memória, porém não como objetivos, mas sim com objetos do conhecimento.

Uma das principais funções do museu é estabelecer uma mediação entre os indivíduos e objetos materiais. O museu induz o visitante a ver aquilo que seus olhos deixam passar no cotidiano, assim como o que é diferente. Dessa forma, o museu é o lugar próprio para coletar objetos, conservá-los e classifica-los, estudá-los, etc...

Esses objetos materiais presentes nos museus se transformam em documentos, ou seja, os objetos assumem o papel de fornecer a informação, mesmo que ainda tenham que perder a serventia para qual foram concebidos. Por exemplo, em museu histórico nenhum móvel ou arma pode ser empregado como móvel ou arma pelos funcionários ou visitantes é válido ressaltar que esse esvaziamento de valor de uso, em benefício do valor documental, não é o mesmo para todos os objetos.

Para concluir, pode-se considerar o museu como a forma pela qual nossa sociedade transforma os objetos materiais em documentos, portanto o museu também é um centro de documentação.

Museus

1) Finalidade:
A finalidade principal de um museu histórico é o processo educativo e comunicativo. Mas o entendimento das funções de um acervo histórico museológico como sendo uma espécie de manual de história nacional ou regional é erronia.

2) O Espaço:
O espaço no museu é de uso livre, ou seja, a decisão sobre o percurso é pessoal. Apesar da existência, em alguns museus, de uma sequência pedagógica, continuamos livres para segui-la ou não.

3) As exposições e os objetos:
As exposições são fontes de prazer estético, de observação científica, de reflexão e interação.
Os objetos são elementos centrais e a alma dos museus, através dos quais o visitante pode apropriar-se dos conhecimentos expostos, assim como compreender os aspectos sociais, históricos e técnicos, artísticos e científicos envolvidos.
Dessa forma, o acervo de um museu histórico nos permite analisar uma sociedade em um determinado tempo, levando em conta a noção de interação de diversas dimensões do cotidiano. Além disso, o acervo pode proporcionar ao visitante a percepção das transformações sociais que constituem o processo histórico.
A forma mais espontânea de interação visitante-objeto histórico é a comparação entre a sua realidade e os objetos produzidos e utilizados pelas sociedades passadas. Através dessa interação, os visitantes podem visualizar de maneira concreta as mudanças históricas, e isso permite que pensem historicamente, que se sensibilizem com as diferenças e transformações entre o tempo presente e o passado. Com isso o visitante pode repensar sobre seu próprio cotidiano.

4) A mediação e a interação nos museus, segundo Marandino e colaboradores (2008):
O mediador nesses espaços deve ser compreendido como um decodificador das informações contidas na exposição. Para melhor desenvolver seu papel, ele deve obter informações sobre os visitantes, buscando estabelecer relações entre os conhecimentos que o visitante já possui aos novos que lhe serão apresentados.
Sobre a interatividade nos museus, ocorreu uma categorização dos tipos da mesma em: Hands on, Minds on, e Hearts on.
Hands on ou Manual promove uma interação através do toque a da manipulação física como principal forma de interação. A MInds on ou Intelectual acontece quando há um engajamento intelectual e quando a exposição promove a reflexão dos visitantes, onde eles podem modificar seu pensamento durante ou depois da visita e desenvolver questionamentos e dúvidas. O Hearts on ou Cultural acontece quando a exposição suscita aspectos éticos, estéticos, morais e históricos nos visitantes, mexendo então com a sensibilidade dos mesmos. Desta forma percebemos que a interação Hands on pemite uma interação manual, a MInds on uma interação intelectual, e o Hearts on uma interação cultural e de sensibilidade.
As exposições podem privilegiar uma dessas interações, mas é desejável a presença das três possibilidades, mesmo que trabalhadas em intensidade diferentes.

5) Roteiro de uma visita:
Atividades em sala de aulas antes de ir o museu.
Durante a visita é interessante desenvolver os conceitos didáticos que serão necessários para a compreensão da exposição. É importante situar a época e a sociedade que a exposição pretende explorar, bem seus principais costumes. Cada etapa da visita deve possuir um tipo de conhecimento a ser assimilado pelos visitantes. Além disso, pode-se
propor que os estudantes, interagindo com os objetos, realizem um trabalho de reflexão e comparação com nossa sociedade atual, que os levem à produção de um conhecimento e à compreensão da forma como este conhecimento foi produzido.
Depois da visita também é interessante elaborar questões de reflexão.

O museu no ensino de História

* Principal função do museu histórico é educativa.
* Desenvolvimento de atividades pedagógica dentro do museu – Roteiro de visita (possibilidade de trabalho pedagógico).
* Acervo histórico museológico não é manual de história nacional ou regional – perspectiva a partir da divisão do ensino em compartimentos estanques.
* O acervo permite analisar a sociedade de um determinado tempo, levando em conta a noção de interação das diversas dimensões do cotidiano;
* Possibilidade concreta de perceber as transformações sociais que constituem o processo histórico (comparação entre sua própria realidade e os objetos produzidos e utilizados pelas sociedades passadas).
* Visualização concreta das mudanças – pensar historicamente (diferenças e transformações) – repensar seu próprio cotidiano.
* Experiências pedagógicas no museu – roteiros de visita/propostas de trabalho – reflexão dos próprios alunos – produção de conhecimento.
* Formação dos professores: bibliografia específica sobre os objetos e exposições e “atividade prática”.
O roteiro de visita
* Estrutura: Mapa da Exposição (Módulos temáticos, objetos expostos e eixo teórico).
* No eixo teórico deve conter conceitos a ser trabalhados com os alunos para que o conhecimento seja construído durante a exposição – perspectiva construtivista.
* Problematização dos objetos expostos.

O Museu Paulista da Universidade de São Paulo abriu suas portas para visitação da população no final do século XIX (1893), pouco tempo depois da proclamação da República. A partir dessa época, o Museu se voltou para a pesquisa e a instrução popular.

Para quase todos os paulistanos ele é conhecido como “Museu do Ipiranga”, assim ele fica limitado a desempenhar o papel de “museu do grito”, isto é, voltado a celebração do “heróico grito do Ipiranga” e de seu autor, o Imperador D. Pedro I. Muitos também acreditam que D. Pedro I ,morou no Ipiranga, porém ele morreu muito antes da construção do Palácio de Bezzi (como era conhecido na época de sua construção, 1885- 1890).

A região do Ipiranga (São Paulo) ficou conhecida porque em alguns momentos do dia 7 de setembto de 1822, o príncipe D. Pedro, acompanhado de sua comitiva, passou por ali e num gesto teatral, determinou o rompimento político do Reino com a metrópole. Consta que após esse dia ele jamais voltou ao Ipiranga.
Durante todo o século XIX procurou-se erguer um Monumento de Independência, mas todas as tentativas falharam devido a falta de recursos. Apenas quando surgiu a ideia de se construir uma instituição de ensino, foi possível levar a cabo o projeto de um monumento no Ipiranga. Este deveria ser grandioso, mas com um caráter utilitário. O projeto apresentado foi de encontro aos ideais da elite paulista: preocupada com a cultura, o progresso, e a modernidade. De estilo renascentista italiano, o prédio não parecia preencher os requisitos necessários para o funcionamento de uma escola, ficando desocupado por algum tempo.

Logo no inicio de sua ocupação, ele recebeu um apanhado de coleções particulares (zoologia, arqueologia, botânica, etc), porém nunca se perdeu de vista o seu caráter de monumento histórico. Assim com as mudanças de seus diretores, a instituição passou a adotar uma postura cada vez mais próxima da ideia inicial: a comemoração da independência.

É preciso por em prática o conceito de que o museu é fundamentalmente, um espaço da sociedade, onde especialistas preservam e discutem uma história da qual o púbico visitante é parte integrante. 

Trabalho realizado na disciplina Metodologia de História em outubro de 2011.

Resenha: Uma releitura do papel da professora das séries iniciais no desenvolvimento e aprendizagem de ciências das crianças.


“O sujeito que aprende é aquele que se dispões a significar o mundo e confrontar suas explicações com a dos outros” (pg. 171)

A frase destacada do texto é na verdade um conceito, uma perspectiva de educação que todo o texto é baseado. O que os professores sabem? O que os professores devem saber? O que deve ser ensinado no ensino de ciências nas séries iniciais? Essas são as principais perguntas das pesquisas de ensino e formação de professores no ensino de ciências. Segundo os autores devemos mudar o foco dessas perguntas e nos perguntamos em que consiste ensinar ciências e como que objetivo se ensina ciências para as crianças.

No texto são destacadas duas concepções de educação, que geram consequentemente, duas formas de analisar o ensino, de formar professores e de práticas pedagógicas. A concepção behaviorista, comportamental, surge a partir dos anos 60 e acredita na educação como uma relação de processo e produto, na medida em que avalia o ensino pela ação docente e na aprendizagem do aluno. A partir dos anos 80, as pesquisas passam a ter um enfoque cognitivista, que busca compreender as inúmeras estratégias de ensino na pratica dos próprios professores, para que em sua formação façam um diálogo sobre elas.

A maioria das pesquisas sobre o ensino de ciências nas séries iniciais acredita que o conhecimento dos professores é escasso, buscando recursos mecanicistas e sem valor dentro das salas de aula, deixando de lado atividades experimentais que geram diálogo e questionamento dos conteúdos. Algumas pesquisas acreditam que os problemas metodológicos das aulas provêm da falta de confiança dos professores, por eles não terem conhecimentos sobre ciência, e dessa forma, dão uma formação com enfoque nos conteúdos do ensino de ciências. Mas só ensinar ciências para os professores vai melhorar o ensino? Há pesquisas que indicam não existe muita diferença de aprendizagem entre as aulas de professores generalistas e especialistas, mas há também pesquisas que indicam que professoras com conhecimento escasso são capazes de ensinar seus alunos de maneira satisfatória.

Segundo os autores não é o conhecimento do conteúdo que faz com que os professores sejam capazes de ensinar, acreditam que as pesquisas devem focar seus estudos no que os professores já conhecem e precisam ampliar, ao em vez de ficar ressaltando o não saber. A partir da concepção de educação sócio-interacionista de Vygotsky, os autores acreditam que o papel do professor deve ser o de mediar o processo de aprendizagem dos alunos, possibilitando o conhecimento de conceitos científicos a partir de conceitos cotidianos. Assim, os professores das séries iniciais não tem que ter conhecimentos específicos sobre ciências, mas devem ter saberes sobre “o mundo das crianças e de seus modos de pensar, dizer e aprender” (pg. 170). Somente a partir desses saberes os professores poderão fazer intervenções interessantes dentro das salas de aula, que gerem discussões, questionamentos, investigação; para isso as intervenções devem ser planejadas, com objetivos e metas. Os alunos têm que ser capazes de criar estratégias para pensar cientificamente e não apenas decorar conteúdos científicos, mas para isso, os professores devem ser capazes também.

Para Vygotsky as palavras são a mediação do pensamento, é a partir delas que nos relacionamos com mundo ao nosso redor e vamos dando sentido a ele. Assim, o dialogo dentro da sala de aula é fundamental; as intervenções dos professores devem possibilitar as discussões dentro da sala, deixando que os alunos compartilhem suas experiências e pensamentos. O ensino de ciências que possibilita esse caminho é o por investigação, que proporciona aos alunos a possibilidade de interagir, explorar e experimentar o mundo natural, sendo o papel do professor o de guiar as investigações propondo situações-problema. As investigações possibilitam a construção do conhecimento de cada sujeito, ao mesmo tempo em que ele o confronta “com a significação social das ideias em circulação” e dos colegas da turma.

Bibliografia

LIMA, Maria Emília Caixeta de Castro; MAUÉS, Ely. Uma releitura do papel da professora das séries iniciais no desenvolvimento e aprendizagem de ciências das crianças. Ensaio, v. 08, n.02, p.161-175, dez., 2006.


Resenha realiza na disciplina Metodologia de Ciências em setembro de 2011.

sábado, 12 de junho de 2010

A Linguagem da Pedagogia

INTRODUÇÃO

Discutir e entender os diferentes tipos de linguagem é muito importante para melhor compreender as variadas concepções de educação. A escolha do tipo de linguagem a ser utilizada influencia totalmente a pedagogia, a maneira de ensinar e a forma de interagir com os alunos. Conforme a linguagem o texto constrói a imagem de quem escreveu e de quem vai lê-lo. Conforme ela, são escolhidos o conteúdo, o enfoque, a bibliografia e etc., assim a escolha da linguagem é também uma escolha política. Por isso é importante conhecer as concepções de linguagem existentes, assim é possível eleger uma e traçar um caminho de educação, ou seja, assumir uma postura relativa à educação.

Neste trabalho faremos um analise do material do Programa Ler e Escrever da Prefeitura de São Paulo. Ele é composto de uma serie de livros de apoio que vão desde o 1o ao 5o ano, por isso analisaremos apenas o volume um do livro TOF (Toda Força ao Primeiro ano), a primeira e a segunda edição, que está disponível na internet. É um livro de apoio aos professores do 1o ano, para o primeiro semestre, que contem a apresentação do programa e dicas para atividades, avaliações e formas de trabalhos para a alfabetização.

A intenção desse trabalho é descobrir qual é o tipo de linguagem utilizada pelo material e reconhecer assim como ele apresenta o leitor, o autor e o próprio conteúdo. Dessa forma poderemos entender melhor como determinado tipo de linguagem pode influenciar na escolha pedagógica de ensino. Além disso, como o material é um livro sobre alfabetização, encontramos nele um estudo sobre a linguagem e como ela deve ser trabalhada na alfabetização. Por isso a intenção é também fazer uma analise crítica desse material, já que é ele que está sendo a base para a alfabetização de todas as crianças matriculadas na rede municipal de São Paulo.

RELAÇÃO AUTOR/LEITOR

A linguagem utilizada nos livros nos evidencia muitos aspectos a respeito das intenções do autor. Podemos perceber como ele pretende se relacionar com o leitor, como ele pretende que o leitor utilize o material, em que lugar o próprio autor se coloca diante o livro e etc. Para analisar esses aspectos usaremos a apresentação do material escolhido. Nela o autor explica como utilizar, pra serve e qual a proposta do material.

A linguagem utilizada pelo autor é propositalmente na 1o pessoa do plural, de maneira que coloca o autor e o leitor no mesmo “barco”. Além disso, são utilizados pronomes possessivos para se referir ao leitor (o professor). Isso faz com que pareça que estão em uma conversa e conseqüentemente, que se aproximem. No fragmento abaixo retirado do material, podemos identificar os termos utilizado:

“Esperamos que este Guia seja um aliado no seu dia-a-dia. Não apenas por facilitar seu planejamento, mas por provocar reflexões e inquietações; não só por lhe ajudar a incorporar novas atividades, (...). Esperamos, enfim, que este Guia aponte caminhos e torne possível alcançar nossa ambiciosa meta de alfabetizar todos os alunos até o final do 1o ano.” (TOF, 2006, p. 8)

Os autores se utilização ainda de outro artifício para se aproximar do leitor: termos comumente utilizados na linguagem oral. Na apresentação feita para a segunda edição do livro temos:

“Não é um caminho suave. Mas, quando nos depararmos com meninos e meninas de oito anos lendo poemas, receitas, histórias, notícias e outros gêneros, e escrevendo cartas, histórias, receitas, notícias e outros, certamente vamos ter a grata sensação de quem, de fato, cumpriu uma nobre e importante missão.” (TOF, 2009, p. 5)

O uso de termos orais, da 1o pessoa e de pronomes possessivos, como já foi dito, tem a intenção de aproximar o leitor do autor. O fato de o livro ser direcionado aos professores das escolas municipais, e de ele ter sido feito pela prefeitura de São Paulo pode explicar isso. A intenção da prefeitura é de mostrar que está caminhando junto com os professores na jornada da alfabetização, de mostrar que está ao lado deles, e principalmente, de fazer com que eles confiem no livro para que o usem.

Mesmo lembrando sempre que os professores e coordenadores são partes integrantes do processo da alfabetização, o autor se mostra na apresentação como o maior fornecedor do caminho para que aconteça isso. Apesar de utilizar a palavra “guia” para denominar o material, o autor muitas vezes explicita que o material é essencial, que é o “salvador” dos professores para conseguirem cumprir a tarefa de alfabetizar 85% de seus alunos.

Na primeira edição do livro a apresentação é escrita pelo então secretario municipal da educação, Alexandre Alves Schneider:

“Esperamos que com o trabalho orientado por esse material, você possa alcançar com os seus alunos as expectativas de aprendizagem previstas, colaborando cada vez mais, os alunos tenham prazer em ler (...).” (TOF, 2006, p. 6)

Não podemos esquecer que a “tarefa” de alfabetizar 85% dos alunos da turma, na verdade é uma meta que foi imposta pela Prefeitura.

Na apresentação da segunda edição do livro escrita pela equipe do ler e escrever temos outro exemplo de como o autor coloca o material:

“Nenhum material, por melhor que seja, dá conta de resolver todas as mazelas da educação. Entretanto, um planejamento consistente, com acompanhamento e recursos didáticos disponíveis, pode permitir que o professor se concentre naquilo que é mais relevante: a aprendizagem de seus alunos.”

Podemos perceber que ele primeiro fala que os livros não resolvem o problema, mas em seguida, deixa nas entrelinhas, que é o material que permite que o professor se concentre só naquilo que é essencial.
Mais uma vez o autor pretende convencer o leitor (o professor) a usar o material. A todo o momento ele se vale de artifícios para que o professor realmente acredite que o material vai alfabetizar os alunos, que esse livro é essencial para que isso aconteça. Em outras palavras, e nos desculpe por elas, mas não encontramos outras, é a prefeitura “vendendo o seu peixe”.


CONCEPÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO


Nesse ponto pretendemos analisar o conteúdo do material. No próprio livro encontramos um texto com titulo “concepção de alfabetização”, que fala sobre a diferença entre o sistema de escrita e a linguagem, e da importância de se aprender a linguagem para que se tenha sucesso nas praticas sociais de leitura e escrita. Segundo o texto o aluno deve se apropriar do sistema de escrita, para só assim poder ler e escrever; ele deve compreender a diferença entre a escrita alfabética e outras formas gráficas. Explicita ainda que para que o aluno conheça a linguagem, ou o sistema de escrita, não basta dar um texto para ele ler. Para isso o material traz em seu conteúdo as metas que tem de ser cumpridas, tanto para a linguagem oral quanto para a escrita e ainda fornece estratégias para que o professor realize essas metas.

Linguagem Oral

As metas para a linguagem oral são vinculadas a situações formais e informais de comunicação. Para as situações informais de comunicação espera-se que o aluno seja capaz de ouvir, entender e aceitar os outros colegas. Nas situações formais espera-se que o aluno seja capaz de comunicar se utilizando uma fonte escrita, como um poema.

Seguindo os parâmetros curriculares nacionais que diz que o trabalho com a linguagem oral deve ter em vista expandir as possibilidades de participação social do aluno, espera-se que o aluno possa participar das variadas situações sociais, sabendo como e quando falar de uma determinada maneira.

Para trabalhar a linguagem oral com os alunos o material dá orientações didáticas para que o professor desenvolva atividades na sala de aula. Entre elas propor situações de conversação, narração, recuperar oralmente informações de uma história, por exemplo, manifestar e ouvir a opinião dos colegas e etc.

Linguagem Escrita

A meta para a linguagem escrita é bem clara: espera-se que o aluno escreve ao final do 10 ano de forma alfabética. Desde textos que conheçam de memória, até textos que eles próprios escreveram, o importante é que eles conheçam formas diversificadas de textos. O material fala da importância das atividades em que os alunos ditam e o professor escreve, pois assim é possível que eles foquem sua atenção na construção do texto, na organização do conteúdo e enfim, na linguagem que estão escrevendo. Enfatiza ainda que imprescindível ao processo de alfabetização que o aluno aprenda a linguagem que se escreve ao mesmo tempo em que aprende a escrever.

As orientações para as atividades começam na apresentação do abecedário e todas as maneiras possíveis de se trabalhar com ele: letras moveis, atividades que façam os alunos se utilizar da ordem alfabética, refletir sobre o alfabeto e como ele é utilizado para escrever nomes próprios, títulos de histórias, entre outra palavras.

Diversidade Linguística

A diversidade lingüística é um aspecto citado pelo material. O que fazer quando os alunos entram em contato com modos diferentes de se falar? Segundo o autor é necessário ressaltar para a turma que existem modos diferentes de se falar e que é preciso respeitar isso, aproveitando o momento para compartilhar a maneira formal, mostrando que é uma outra forma dentre tantas outras.


A LINGUAGEM


Depois de visto como o autor propõe para o leitor como tratar a linguagem, o que já nos dá parâmetros para perceber como ele concebe a linguagem e conseqüentemente a educação, veremos como ele se utilizou da linguagem para passar esse conteúdo. Dessa forma poderemos descobrir qual a concepção de linguagem do material.

Para saber mais...
Se você quiser saber mais sobre os diferentes gêneros textuais e sobre o trabalho com essa diversidade na sala de aula, leia o livro O ensino da linguagem escrita,
de Myriam Nemirovsky (Porto Alegre:Artmed, 2002). (TOF, 2006, p.26)


Quanto ao resto do texto que compõe o livro, o autor se utiliza de termos da linguagem oral. O que pudemos perceber é que a leitura é bem didática. Na maior parte ele é informal, ou seja, o texto é de fácil entendimento. Muitas vezes parece que ele está ao lado, explicando cada passo. Essa também é uma forma de se aproximar do leitor, de facilitar sua leitura e permitir a compreensão do material. No fragmento abaixo podemos ver como ele faz essa “conversa”:

“Nas situações de conversação, os alunos podem ter contato com uma diversidade lingüística, ou seja, com modos de falar distintos, que poderão variar de criança para criança. E o que fazer nessas ocasiões? É sempre interessante ressaltar para a turma a importância de respeitar essa diversidade, de maneira que eles venham a construir uma atitude de respeito com relação a modos de falar distintos do seu próprio. E as convenções, como ficam? Nesse contexto, é possível também compartilhar as convenções, mas sempre valorizando a diversidade – que não deixa de fazer parte do patrimônio cultural de nosso país.” (TOF, 2009, p. 21)

“A principal meta é que os alunos ao final do 1o ano já escrevam de forma alfabética. Repare que não é esperado que eles escrevam com fluência os mais variados tipos de texto, (...)” (TOF, 2006, p.28)

CONCLUSÃO

Como pudemos perceber a escolha da concepção de linguagem que fazemos, ao escrever um texto, um livro, ou apenas uma crônica, influencia desde a estrutura até o conteúdo que vai ser tratado. Como já foi dito, a escolha da linguagem é uma também uma escolha política, na medida em que ela determina sua relação com a língua e conseqüentemente com a forma de interagir com o mundo a sua volta. Ao assumir uma concepção de linguagem se assume também uma postura perante a educação, já que o conteúdo, o enfoque que se vai dar a ele, as estratégias, a avaliação e o tipo de relacionamento com os alunos, são baseados nessa escolha.

Depois de analisar todos os aspectos do texto, tanto sua escrita quanto o seu conteúdo, chegamos em fim ao ponto principal proposto por este trabalho: descobrir qual a concepção de linguagem do material escolhido. Concluímos que a concepção de linguagem do material é a sócio-interacionista.

Podemos dizer que o texto é interacionista pela forma que foi escrito. Nessa concepção a língua se torna um lugar de interação entre os sujeitos, em que se pode construir vínculos e compromissos, assumindo isso o livro usa os pronomes para se aproximar do leitor. Todos os artifícios para que fosse um texto de fácil acesso e entendimento podem nos comprovar isso. No texto de apresentação do livro demonstramos como a linguagem que o autor utiliza está a todo o momento visando uma comunicação direta com o leitor, o que é próprio do interacionísmo. Os interacionistas acreditam que a linguagem deve servir como instrumento de comunicação entre os indivíduos. No texto o autor escreve com termos orais e de forma direta com o leitor para que ocorra essa comunicação.

Quando uma concepção de linguagem é escolhida, se assume também uma posição perante a diversidade lingüística. Para os tradicionalistas a diversidade da língua é vista como um erro, a sociedade estigmatiza a variedade, o que torna a língua uma imposição social. Para os interacionistas a variação é própria da linguagem, ela é necessária para que a língua permaneça. É uma visão mais democrática, em que as variedades são vistas como diferentes elementos da língua, que permite uma maior possibilidade de se comunicar. Para a educação faz muita diferença essa escolha, já que se estigmatizar a linguagem do aluno, apenas porque ela é distinta da linguagem da escola, se corre o risco de silenciá-lo.

Assim vemos como a escolha da linguagem pode influenciar na educação. Ao se assumir uma concepção de linguagem se assume também uma concepção de educação. Parece-nos que a concepção interacionista é o melhor caminho para a educação, pois pode tornar mais concreta a possibilidade de o aluno adquirir mais habilidade no uso da língua materna. A interação tende a provocar mudanças tanto no sujeito quanto no destinatário, porque agimos sobre os outros e os outros sobre nós.

Desse modo, se o sujeito constitui-se à medida que interage com os demais, seu conhecimento e sua consciência de mundo se alterarão também. Assim, é provável que as deficiências lingüísticas sejam, no mínimo, alteradas para melhor. Estudar a língua em uma perspectiva formal permite-nos somente compreender o seu funcionamento. No interacionismo não existe linguagem separada do sujeito que a produz e do outro a quem se destina, isto é, do seu interlocutor.

Bibliografia

GERALDI, João Wanderley (org.). O texto na sala de aula: leitura e produção. Cascavel: Assoeste, 1984.

COOK-GUMPERZ, Jenny. A construção social da alfabetização. Tradução: Ronaldo C. Costa. Porto Alegre: Artmed, 2008.

BORTONI-RICARDO, S. M .Educação em Língua Materna: A Sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial. 2004

OLSON, David R.; TORRANCE, Nancy. Cultura escrita e oralidade. Tradução: Valter Lellis Siqueira. São Paulo, Atica.

ONG, Walter J. Oralidade e Cultura Escrita. Tradução: Enid Abreu Dobránsky. São Paulo: Papirus,1998


Trabalho realizado na disciplina Linguagem e Conhecimento em Junho/2009